"O importante não é vencer todos os dias, mas lutar sempre."

Waldemar Valle Martins............................................................................................................................................................

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sábado, 4 de junho de 2011

Pressão externa (ONU e EUA)


        Em 1990, as eleições livres deram ao padre esquerdista Jean-Bertrand Aristide o poder presidencial. No entanto, logo depois o padre foi deposto por um golpe militar liderado pelo general Raul Cedras, dando retorno à ditadura. A Organização dos Estados Americanos, a ONU e o EUA advertiram o pais com sanções econômicas a fim de forçar os militares a devolverem o pode ao padre. Além disso, o grande contingente de haitianos que buscavam se refugiar nos Estados Unidos fez com que esse país pressionasse o governo haitiano pela volta de Aristide. A junta militar haitiana deu posse a um civil, mas mesmo assim os EUA não se satisfizeram e, em julho de 1994, a ONU permitiu que os EUA interferissem militarmente no Haiti. O país conseguiu dar o poder a Aristide, em setembro. Apesar de o Haiti ter vivido um período mais democrático até 2000, a economia destroçada não permitiu um grande avanço no país.
          Em 2003, Aristide promoveu eleições presidenciais, vencendo-as. Em 2004, foi expulso do país por forças armadas. A ONU então enviou uma missão de paz, conseguindo impedir a subida de milícias ao poder. Até 2006, o chefe do Judiciário, Alexandre Boniface governou como presidente. Países como a França e o Canadá enviaram tropas para garantir a transição política no Haiti. Em 2006, houve eleições diretas para presidente, vencendo René Préval. Em 2004, a ONU havia criado, pelo  Conselho de Segurança, a Força Militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), comandada pelo Brasil, com o objetivo de manter a paz, eliminar milícias. A ONU continuaria interferindo no país até a eleição de um novo presidente, mas até hoje isso acontece, já que a segurança no Haiti é muito instável.
          No dia 12 de janeiro de 2010, um terremoto de magnitude 7 na Escala Richter atingiu o Haiti, próximo da capital Porto Príncipe. Após este acontecimento, o Haiti aprofundou ainda mais a sua situação de miséria e decadência.  

Crise política

          Em 1950, Raoul Magloire destitui o presidente Dumarsais Estimé do poder, por meio de um golpe militar. Ele implanta uma nova constituição que, pela primeira vez, dá direito de voto direto ao povo para eleição do presidente. Ocorre que ele decidiu se manter no poder, apoiado pelo Exército, o que gerou revolta popular violenta. Com a renúncia de Magloire, o Haiti teve em menos de 10 meses um total de 7 presidentes, o que mostra a instabilidade política que tomava conta do país.
           O período em que François Duvalier, o Papa Doc, esteve no poder presidencial, foi um dos mais sanguinários da história do Haiti. Apoiado inicialmente pela população ao comprometer-se a lutar contra a malária, visto que era médico, desenvolveu uma forte ditadura, perseguidora de opositores e da Igreja Católica, a partir de 1957. Com o apoio de sua guarda pessoal, a tontons macoutes ou bichos-papões, se fez presidente vitalício, em 1964. Quando da sua morte, em 1971, o povo haitiano teve esperança de mais liberdade, mas seu filho Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, de apenas 19 anos, deu continuidade ao regime sangrento e opressor por mais 15 anos. A população estava tão insatisfeita com seu governo que, em 1986, o político, instruído em boas escolas, decidiu abandonar o país. É a partir desse momento que os países desenvolvidos se despreocupam totalmente em relação ao Haiti, que conhece então um dos piores períodos de sua historia, o da pobreza profunda.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Início da crise e intervenção norte-americana

          Um período de instabilidade tomou conta do país, resultando em sua divisão em duas regiões, a ocidental, e a oriental, atual República Dominicana, que foi ocupada pela Espanha, sendo essa ocupação desfeita em 1822 quando o presidente Jean-Pierre Boyer reunificou e conquistou toda a ilha, governando como ditador até 1843. A República Dominicana, por sua vez, derrubou Boyer em 1844 e conquistou sua independência. Depois do ditador, os presidentes do Haiti sofreram com governos trágicos, até a chegada dos EUA para intervir no país, havendo envenenamentos, explosão de palácios, linchamento por parte do povo, como ocorreu com Vilbrum Sam. Os EUA invadiram o Haiti militarmente em 1915, buscando cobrar a dívida externa existente e amenizar o caos econômico do país, além de governar a nação. A grande potência conseguiu dar mais estabilidade ao Haiti, impôs uma nova constituição e jurou respeito à soberania haitiana. No entanto, os presidentes que se sucederam tinham muita fragilidade diante da nação, e ao mesmo tempo, os EUA, que evitavam guerras civis e revoltas, tinham sua saída pedida por grupos nacionalistas. Isto aconteceu e em 1934, as tropas norte-americanas foram retiradas do país. Entretanto, militares treinados por eles, a Guardia Nacional, continuariam no país para reprimir qualquer manifestação democrática.


Fim da escravidão e independência

         Em 1791, os escravos passaram a se manifestar com mais força, e sob o comando do negro Toussaint l'Ouverture,  conseguiram dominar a colônia. Em 1794, quando a França se via comandada por forças do povo, decidiu extinguir a escravidão em todas as suas colônias. O Haiti foi, assim, o primeiro país latino-americano a abolir a escravidão. Mesmo com a liberdade, os ex-escravos viviam sob pressão e dificuldades. Então, em 1801, o governador geral Toussaint l'Ouverture,  mobilizou negros por melhores condições de vida, resultando em maior liberdade aos escravos da futura República Dominicana. Os franceses não aprovaram tal ação e, em 1803, mandaram um Exército à ilha que conseguiu derrotar Toussaint l'Ouverture, o qual foi morto pelos franceses em Paris. Esse período de rebeliões foi marcado por muita violência tanto por parte dos exércitos franceses e espanhóis contra os haitianos como por parte dos próprios, que matavam, invadiam casas. É nesse contexto que, em 31 de dezembro 1803, com o apoio da Inglaterra, Jacques Dessalines derrota a França, declara o país independente e o denomina Haiti, palavra indígena que quer dizer terra da montanha, proclamando-se imperador. A independência do Haiti foi um processo apoiado tanto pela minoria elitista, dos brancos, quanto pela maioria negra, africana. Ambos queriam o fim da imposição francesa, dos impostos, mas os primeiros queriam uma maior autonomia política para seus interesses, ao passo que os escravos desejavam a aplicação firme dos princípios da Revolução Francesa.

Descobrimento e colonização

         O Haiti é, sem dúvida, a demonstração do caos e do desrespeito ao ser humano. A pobreza que se observa no país é simplesmente lastimável. Para que se entenda essa situação, deve-se compreender a história do Haiti. Em 1492, Cristóvão Colombo, em sua vinda à América, deu a uma ilha encontrada o nome de Hispaniola, em homenagem aos reis da Espanha. Posteriormente chamada de São Domingos, compreende o Haiti e a República Dominicana. Em 1697, a Espanha passou à França o território haitiano, pelo Tratado de Ryswick, e foi a partir daí que a nova colônia francesa se colocou como uma das maiores exportadoras de cacau, café e açúcar, baseando-se no trabalho negro e enriquecendo os bolsos franceses. A economia primária existente na época sempre caracterizou o Haiti, e inclusive hoje, o capital depende do primário. A colônia chegou inclusive a concorrer com o açúcar brasileiro no século XVII.